Sobreposição entre bases não é erro: é prova de que a busca foi exaustiva
Encontrar o mesmo artigo na Scopus, no PubMed e na Web of Science não indica que algo deu errado. Indica o contrário: a busca alcançou o mesmo estudo por caminhos independentes, o que é evidência de cobertura exaustiva.
O problema não é a sobreposição existir. É deixá-la passar para a triagem, onde ela vira leitura repetida, fadiga e contagem dupla no PRISMA.
Por que ordenar por título não resolve
A tentativa mais comum é exportar tudo para uma planilha e ordenar por título. Ela falha por um motivo estrutural: editoras e indexadores aplicam normas diferentes de transliteração de nomes, abreviação de títulos e inclusão de resumos. Uma diferença de acentuação, um espaço a mais, um resumo ausente numa das bases, e a duplicata escapa.
O Smart Merge percorre quatro camadas em sequência. Primeiro o DOI idêntico, a mais precisa e com menor risco de falso positivo. Depois a impressão digital de título e resumo, que captura variações de codificação. Em seguida a comparação direta de título e resumo. Por último, título e ano, como salvaguarda para documentos sem resumo.
Antes da primeira comparação, o próprio DOI passa por normalização: vira minúsculo, perde espaços nas pontas e o endereço do provedor é retirado. Assim, o mesmo artigo salvo com o link completo numa base e só com o código na outra continua sendo reconhecido, sem falso negativo logo na camada mais confiável.
Enriquecer em vez de sobrescrever
Depois da deduplicação, o plano Colaborador libera o enriquecimento de metadados: o Tykyra consulta fontes externas pelo DOI para completar autores, periódico, volume e palavras-chave ausentes.
A regra é conservadora, e por bom motivo: nenhum campo já preenchido é sobrescrito. Apenas as lacunas são fechadas.
O número honesto de duplicatas para o PRISMA
Aqui vale atenção, porque é onde muitos relatos erram. Boa parte da deduplicação por DOI já aconteceu durante a própria coleta, quando uma busca reencontrou um documento já salvo e vinculou a nova origem ao mesmo registro.
Por isso o número correto de duplicatas removidas não é apenas o que a fase de consolidação removeu isoladamente. É a diferença entre o total coletado e o total consolidado final, somando o que foi resolvido nas duas fases. Relatar só o segundo número subestima a deduplicação e deixa o funil sem fechar.
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