Cadeia de custódia: por que nenhum número do relatório final é solto

Uma revisão sistemática só cumpre seu papel quando os achados são comunicados de forma padronizada e com rastreabilidade de ponta a ponta. O instrumento de referência é o checklist PRISMA 2020, com seus vinte e sete itens e o diagrama de fluxo.

Cada número tem uma origem

A cadeia de custódia dos dados percorre as fases na ordem em que aconteceram: a pergunta PICO fixada no protocolo, a expressão booleana derivada dela, os registros retornados pelas APIs, as duplicatas removidas, as decisões de triagem e, por fim, o diagrama.

O funil PRISMA unificado percorre essa sequência do total identificado nas bases até os documentos finais incluídos, passando pela consolidação e pelos dois estágios da triagem. Nenhum número aparece sem origem rastreável numa fase anterior, e essa é a diferença prática entre um relatório gerado pelo processo e um relatório reconstruído de memória.

Duas trilhas de auditoria, com funções diferentes

O Audit Log registra as ações administrativas tomadas ao longo da pesquisa: remoções, fusões de duplicatas, decisões revertidas, sempre com data e responsável. Ele rastreia o que foi feito sobre os dados já coletados.

A seção de Auditorias registra outra coisa: cada chamada feita a cada base, automática ou manual, com data, expressão usada, quantos documentos voltaram e o status de sucesso ou erro. Ela rastreia a própria busca.

A distinção importa quando alguém questiona o trabalho. Uma trilha defende como você buscou; a outra defende o que você fez com o que encontrou.

Interoperabilidade não é detalhe técnico

Exportar em padrões abertos, como RIS e BibTeX, é o que preserva o arquivo digital da revisão e permite que outra pessoa reutilize a sua base.

A lista final de documentos incluídos sai em Excel sem restrição de plano. É o entregável mínimo de qualquer revisão sistemática, e restringi-lo criaria uma barreira à publicação científica, independentemente do recurso contratado. A Central de Exportação, no plano Colaborador, organiza um artefato para cada etapa percorrida, do protocolo à bibliometria.

O relatório ainda traz uma citação sugerida: a referência recomendada para declarar o uso da ferramenta na seção de métodos do artigo, que é o tipo de transparência que a próxima geração de pareceristas vai cobrar.

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Bruno Catão

Escrito por

Bruno Catão B · A · S · C

Envolvido em projetos estratégicos na FIOCRUZ há mais de quinze anos e com passagem pela PwC como consultor sênior em PPM, Bruno decidiu consolidar e impulsionar seu conhecimento em soluções tecnológicas para mecanismos de gestão e pesquisa, como no caso do Tykyra e de outros sistemas do ecossistema da Inteligência Seneon. Mestre em Tecnologia de Imunobiológicos, PMP, Lean Six Sigma e autor de capítulos de livro e artigos científicos, ele assina cada sistema com o mesmo rigor metodológico.

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